Nada como os últimos acontecimentos que vem acontecendo no Rio de Janeiro para nos fazer repensar sobre o conceito “responsabilidade social”. Recentemente tive uma breve discussão com um conhecido que insistia em dizer que a violência e a criminalidade do Rio são responsabilidades restritas ao estado e ao governo. Não que eu discorde totalmente deste ponto de vista, mas desde que vi o vídeo do Rodrigo Pimentel divulgado pelo O Globo, comecei a refletir sobre nossa responsabilidade como indivíduo para com a nossa sociedade e lancei esta reflexão sobre o meu círculo de amizades.
Eis que durante toda a turbulência vivida pela sociedade carioca atualmente, acontecimentos pontuais vieram reforçar a questão: há cerca de duas semanas comprei um aparelho celular para minha filha com o dinheiro que ela vinha juntando há meses. Na euforia do brinquedo novo, ela decidiu levar o aparelho para a escola e, sabendo da proibição sobre o uso do mesmo nas dependências do colégio, seguiu meu conselho a risca, mantendo o aparelho desligado na bolsa. Infelizmente isso não foi o suficiente, pois ao final da aula ela percebeu haviam furtado o aparelho. Apesar do rebuliço provocado pelo seu desespero ao constatar o fato, pouco pode ser feito, já que quase todos da escola já tinham ido embora. Uma busca foi feita onde puderam e onde se lembraram de fazer. Chamadas foram feitas em vão para o celular, já que o mesmo passou a manhã inteira desligada. Depois de um pedido meu, um discreto cartaz que eu mesma fiz foi colocado no portão da escola solicitando gentilmente a devolução do celular na secretaria, “caso alguém o tivesse encontrado”. E assunto encerrado. Morremos no prejuízo.
Menos de uma semana mais tarde, uma colega de sala da minha filha teve o mesmo infeliz destino: ganhou um aparelho, levou-o para a escola, desligou-o ao entrar para aula e, no fim... Mais um celular furtado na mesma sala de aula.
Se uma ocorrência não foi o bastante, duas foram suficientes para trazer a tona um histórico de coisas desaparecendo sem que nenhuma providência tivesse sido tomada pela instituição de ensino. Após estes eventos, soubemos que outros dois aparelhos também haviam sido furtados enquanto as crianças estavam sob tutela do colégio, com a sorte de ao menos um deles ter sido misteriosamente devolvido três dias após o sumiço. Fora os episódios de objetos de menor valor como álbum de figurinhas e dinheiro do lanche...
Mas então, vem o que foi para mim a pior parte: além de nada ter sido feito por parte da escola para reforçar a segurança dos alunos e professores, além de nenhum bilhete ter sido enviado aos pais e responsáveis comunicando na agenda sobre os desaparecimentos de objetos pessoais no estabelecimento (ao menos para avisar aos pais desinformados que por ventura não tenham sabido de tais ocorrências para que os mesmos pudessem observar o comportamento dos filhos)... Além disso tudo, a escola ainda teve o disparate de enviar um bilhete aos pais comunicando, sim, que é determinação contratual da escola que nenhum aluno deve utilizar, tampouco portar, objetos de valores emocionais, incluindo aparelhos celulares. Ainda foi dito que estudos comprovam ser desnecessário o uso de tais aparelhos por parte das crianças em âmbito escolar e que os pais deveriam dar o exemplo.
Alguma menção no bilhete sobre a série de desaparecimentos na escola? Nenhum. Omissão total!
Agora, supondo que o responsável pelos furtos seja uma criança, vamos tentar nos colocar no lugar dela: O que você pensaria se depois de furtar no mínimo duas vezes em uma semana – não sendo pego, não tendo seus pais alertas, não tendo nenhuma fiscalização mais rigorosa da escola – você ainda lesse um aviso destes?!?
Várias perguntas me passam à mente:
1) O que pensaria a coordenadora e/ou o dono da escola se tivessem seus carros roubados e queimados durante os eventos que aconteceram recentemente no Rio e ouvisse do governo a simples resposta “não nos responsabilizamos por pertences pessoais, já que avisamos a todos que não saíssem de casa. Não havia necessidade de utilizar carro no rio – pegasse um ônibus!”?
2) Uma vez impune aos seus crimes, sem sequer ter a chance de uma maior atenção paterna ou mesmo repreensão e ainda por cima tendo acesso a um bilhete que só dá razão ao criminoso – já que quem errou foram os pais que permitiram o porte dos aparelhos – que ser humano esta criança se tornará? Isso, claro, se foi realmente uma criança, ao invés de um funcionário da própria escola...
3) Será que a simples omissão da escola ao fato não gera conseqüências para a sociedade?
4) E se um dos professores tiver seu celular furtado? Eles também vão receber circulares proibindo a posse destes aparelhos? Ou será que isso já está em contrato?
5) Será mesmo que com toda a violência noticiada e conhecida no estado do Rio de Janeiro, o porte de aparelhos celulares não é necessário?
6) Será que esta clausula contratual tem valor?
7) Será que é realmente mais lucrativo se isentar da culpa respaldada por contratos do que agir preventivamente? Porque se algo acontecer com a minha filha durante o trajeto da escola para casa e eu não tiver como me comunicar com ela simplesmente por uma proibição infundada da escola, certamente eu responsabilizarei a instituição de ensino!
8) Nós, pais, que somos obrigados a aceitar o contrato escolar se quisermos usufruir da qualidade de ensino, não podemos mesmo fazer nada em casos como este?
9) O que foi feito com toda aquela mensagem sobre responsabilidade social passada pela escola ao longo destes anos?
Até agora só uma resposta aparece: Impunidade. Isso também se ensina na escola!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Reflexões
Certo dia meu terapeuta me perguntou:
- Por que foge de você mesma?
Resolvi então não mais fazê-lo.
Hoje fui a um bar, sentei na companhia de um bom livro, pedi um delicioso Malbec acompanhado de uma salada igualmente saborosa e aquela inseparável água com gás... E ali me deixei ficar por mais de 3 horas.
De tempos em tempos desviava o olhar para a multidão que ia se formando ao passar das horas. Pessoas ao léu. Casais chegando, famílias saindo... Homens, sempre em grupo. Mulheres, sempre acompanhadas. Se não por seus parceiros, por suas amigas.
Era um restaurante, na verdade. Que levado pela influência do habitual ponto de encontro das diferentes gerações do Saco de São Francisco, tomava ares de bar, mesmo que cercado por um público mais variado e, em sua maioria, mais pacato.
Não havia ali o que ou quem eu procurasse, mas me sentia satisfeita por tentar. Sinto-me satisfeita por tentar.
Expor-me é a ordem da vez.
No entanto, a pergunta, que até não tinha resposta... Esta eu me atrevo a responder com outra pergunta: Não seria apenas para não me permitir tornar a sonhar?!?
- Por que foge de você mesma?
Resolvi então não mais fazê-lo.
Hoje fui a um bar, sentei na companhia de um bom livro, pedi um delicioso Malbec acompanhado de uma salada igualmente saborosa e aquela inseparável água com gás... E ali me deixei ficar por mais de 3 horas.
De tempos em tempos desviava o olhar para a multidão que ia se formando ao passar das horas. Pessoas ao léu. Casais chegando, famílias saindo... Homens, sempre em grupo. Mulheres, sempre acompanhadas. Se não por seus parceiros, por suas amigas.
Era um restaurante, na verdade. Que levado pela influência do habitual ponto de encontro das diferentes gerações do Saco de São Francisco, tomava ares de bar, mesmo que cercado por um público mais variado e, em sua maioria, mais pacato.
Não havia ali o que ou quem eu procurasse, mas me sentia satisfeita por tentar. Sinto-me satisfeita por tentar.
Expor-me é a ordem da vez.
No entanto, a pergunta, que até não tinha resposta... Esta eu me atrevo a responder com outra pergunta: Não seria apenas para não me permitir tornar a sonhar?!?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Depressão pré-mudanças
Acho que estou com uma certa depressão que antecede mudanças radicais. Por mais que planeje novas rotinas, faça novas amizades, crie novos conceitos, a mudanças da Pe afeta demais a minha vida também. Por menos importante que ela fosse para mim, o que não é verdade, só a rotina dos almoços já seria um grande impacto. Mas as coisas não param por aí.. É trabalho, vida pessoal, tudo que precisa ser reorganizado.
Depois de ter passado sensações parecidas com meus dois irmãos que saíram do Brasil, sei que isso não representa necessariamente algo ruim. A gente se adapta e acostuma à ausências. Isso é fato! De qualquer forma, até a segunda semana, sempre sinto uma profunda tristeza e depressão.
Hoje trouxe meus livrinhos de francês para tentar retormar os estudos, mesmo que sozinha...
Ai... nem quero mais falar... Tenho apenas que reagir. Manter o mérito pelo elogio que meu irmão me fez ontem por ter me tornado uma pessoa mais alegre e positiva. Não me deixar abater a ponto de virar aquela rabugenta de alguns meses atrás...
Será que consigo? ;-(
Depois de ter passado sensações parecidas com meus dois irmãos que saíram do Brasil, sei que isso não representa necessariamente algo ruim. A gente se adapta e acostuma à ausências. Isso é fato! De qualquer forma, até a segunda semana, sempre sinto uma profunda tristeza e depressão.
Hoje trouxe meus livrinhos de francês para tentar retormar os estudos, mesmo que sozinha...
Ai... nem quero mais falar... Tenho apenas que reagir. Manter o mérito pelo elogio que meu irmão me fez ontem por ter me tornado uma pessoa mais alegre e positiva. Não me deixar abater a ponto de virar aquela rabugenta de alguns meses atrás...
Será que consigo? ;-(
terça-feira, 18 de maio de 2010
Simplesmente triste
Esta noite tive um sonho triste. Mais pela esperança que foi podada pela razão...
A vontade de viver um grande amor esbarrando na razão e no peso de se arrancar este amor de outras fontes talvez mais promissoras.
No meu sonho, eu reencontrava o meu segundo namorado e ambos ficávamos abalados com este reencontro. Mas ele estava prestes a noivar e, durante a festa onde deveria fazer o pedido, ele pedia em público que eu e sua noiva permanecêssemos na festa. Enquanto isso ele se retirava a uma sala para decidir sobre seu futuro. O que estava em xeque era a pessoa com quem ele ficaria.
Abalada pela súbita indecisão dele, depois de tudo parecer tão estável e certo, a futura noiva começava a conversar comigo dizendo coisas como a decepção que ela tinha agora, a me ver prestes a voltar para o meu ex-namorado, quando ele a fez sustentar uma imagem minha de uma mulher segura, independente, revolucionária.
Ela ponderava sobre os investimentos que ambos haviam feito juntos e mencionava, inclusive, um peeling que ele fizera, dando entrada para que ela pagasse o restante das prestações (o que me pareceu engraçado e fora das coisas que eu sabia interessar a ele anteriormente).
Muito esperançosa com a chance que me parecia única, eu me via entristecer diante daquela mulher. Desejava ardentemente que ele me escolhesse, mas olhava para ele não como um amor a ser perdido, mas como uma pessoa que, apesar d'eu não amar, combinava em muito comigo. Olhava para ele e não via o galã dos meus sonhos, mas via um homem sem grandes atrativos que, contraditoriamente, me atraia fortemente.
E a tristeza só crescia.
Sabendo qual deveria ser a minha atitude, eu ainda ligava para minha mãe apenas com a intenção de confirmar se o que eu estava prestes a fazer seria o correto. E eu conseguia esta confirmação.
Então eu ia até a sala para a qual ele havia se retirado e pedia para falar com ele. Inicialmente as pessoas tentavam impedir até que eu me anunciava pelo nome e então, alguém ia chamá-lo. Neste meio tempo, a futura noiva andava nervosa atrás de mim querendo saber o que eu faria. Eu permanecia quieta aguardando o momento triunfal no qual eu abriria mão daquele homem apenas por uma questão de princípios. - Quão nobre eu estava sendo, apesar de toda a minha tristeza... - Não me lembro de ter pensado isso tão claramente, mas lembro de sentir isso com todas as forças.
Eis que ele saia repentinamente da sala com o rosto marcado de tanto chorar e a voz meio embargada. Passava por mim como um raio sem sequer me olhar dizendo algo como "Como pude fazer uma coisa destas?". E seguia apaixonado em direção a sua noiva.
Mesmo estando ali pronta para convencê-lo deste fim, eu ficava pasma pela objetividade dele. Pela conclusão tão fácil que dispensou sequer uma única palavra minha, ou olhar... Então, eu pegava meus dois irmãos do meio, que no sonho ainda eram crianças de 13 e 10 anos, mais ou menos, e sugeria que saíssemos do local discretamente, sem sermos notados, a fim de criar menos alarde do que eu já havia provocado.
E assim acordei. Com a imagem da minha irmã, do meu irmão e minha saindo da Fagundes Varela em direção ao Plaza Shopping. Eu, triste, a olhar para eles caminhando na calçada.
Como pode um sonho causar sentimentos tão profundos durante todo um dia, não?
Ainda sinto a tristeza profunda da perda, do orgulho, do sonho...
Simplesmente sinto.
A vontade de viver um grande amor esbarrando na razão e no peso de se arrancar este amor de outras fontes talvez mais promissoras.
No meu sonho, eu reencontrava o meu segundo namorado e ambos ficávamos abalados com este reencontro. Mas ele estava prestes a noivar e, durante a festa onde deveria fazer o pedido, ele pedia em público que eu e sua noiva permanecêssemos na festa. Enquanto isso ele se retirava a uma sala para decidir sobre seu futuro. O que estava em xeque era a pessoa com quem ele ficaria.
Abalada pela súbita indecisão dele, depois de tudo parecer tão estável e certo, a futura noiva começava a conversar comigo dizendo coisas como a decepção que ela tinha agora, a me ver prestes a voltar para o meu ex-namorado, quando ele a fez sustentar uma imagem minha de uma mulher segura, independente, revolucionária.
Ela ponderava sobre os investimentos que ambos haviam feito juntos e mencionava, inclusive, um peeling que ele fizera, dando entrada para que ela pagasse o restante das prestações (o que me pareceu engraçado e fora das coisas que eu sabia interessar a ele anteriormente).
Muito esperançosa com a chance que me parecia única, eu me via entristecer diante daquela mulher. Desejava ardentemente que ele me escolhesse, mas olhava para ele não como um amor a ser perdido, mas como uma pessoa que, apesar d'eu não amar, combinava em muito comigo. Olhava para ele e não via o galã dos meus sonhos, mas via um homem sem grandes atrativos que, contraditoriamente, me atraia fortemente.
E a tristeza só crescia.
Sabendo qual deveria ser a minha atitude, eu ainda ligava para minha mãe apenas com a intenção de confirmar se o que eu estava prestes a fazer seria o correto. E eu conseguia esta confirmação.
Então eu ia até a sala para a qual ele havia se retirado e pedia para falar com ele. Inicialmente as pessoas tentavam impedir até que eu me anunciava pelo nome e então, alguém ia chamá-lo. Neste meio tempo, a futura noiva andava nervosa atrás de mim querendo saber o que eu faria. Eu permanecia quieta aguardando o momento triunfal no qual eu abriria mão daquele homem apenas por uma questão de princípios. - Quão nobre eu estava sendo, apesar de toda a minha tristeza... - Não me lembro de ter pensado isso tão claramente, mas lembro de sentir isso com todas as forças.
Eis que ele saia repentinamente da sala com o rosto marcado de tanto chorar e a voz meio embargada. Passava por mim como um raio sem sequer me olhar dizendo algo como "Como pude fazer uma coisa destas?". E seguia apaixonado em direção a sua noiva.
Mesmo estando ali pronta para convencê-lo deste fim, eu ficava pasma pela objetividade dele. Pela conclusão tão fácil que dispensou sequer uma única palavra minha, ou olhar... Então, eu pegava meus dois irmãos do meio, que no sonho ainda eram crianças de 13 e 10 anos, mais ou menos, e sugeria que saíssemos do local discretamente, sem sermos notados, a fim de criar menos alarde do que eu já havia provocado.
E assim acordei. Com a imagem da minha irmã, do meu irmão e minha saindo da Fagundes Varela em direção ao Plaza Shopping. Eu, triste, a olhar para eles caminhando na calçada.
Como pode um sonho causar sentimentos tão profundos durante todo um dia, não?
Ainda sinto a tristeza profunda da perda, do orgulho, do sonho...
Simplesmente sinto.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Lixos e descobertas
Estou na reta final das minhas férias. Apenas mais uma semana até que eu volte à estressante rotina de trabalho. Certa melancolia toma conta de mim...
Em 2009 obtive diversos progressos. Encerrei o curso de graduação tecnológica (que não consigo ver com o mesmo orgulho de se encerrar uma verdadeira faculdade, mas que mesmo assim se trata de uma grande conquista), fechei a dívida ativa com o Ministério da Fazenda, limpei meu nome no SPC, paguei a dívida com a minha mãe (sobrou apenas dois parcelamento que fiz em nome dela - um herdado da compulsão e outro de uma nova conquista que menciono a seguir) e comprei um apartamento! Tudo lindo e belo com planilhas de despesas minuciosamente calculadas para todo o ano de 2010 e outras esboçadas para até 2013.
Tudo desabando! Não fiz o Enade e nem justifiquei, então não posso retirar meu diploma. Já fiz gastos grandes no cartão de crédito logo em seguida à limpeza do nome. Gastei TODO o dinheiro das férias, 13º, salário etc. em coisas secundárias quando tinha consciência de que este dinheiro extra era para pagamento da segunda parcela do meu AP. Peguei um empréstimo (outro) para pagar esta segunda parcela. Tornei a gastar este dinheiro. Paguei as despesas extras da compra de um carro que "forcei" minha mãe a fazer mesmo sabendo que não poderia fazê-lo. Estava preparada para gastar mais outros tantos na aquisição de uma carteira de motorista... Tanta coisa em tão pouco tempo. Tantas cifras detonadas em dias!
Tirei férias também da terapia: um mês ausente. Acho que isso associado ao fato da novidade de estar novamente ativa financeiramente. De poder realizar meus desejos com autonomia me subiu a cabeça.
Mas tive algumas poucas sortes também: comprei três livros escritos por Freud e estou lendo um deles chamado Fragmentos da Análise de um Case de Histeria, o qual me mostra de maneira assustadora como sou a perfeita histérica! Além disso, mesmo tendo me aborrecido profundamente com a atitude da minha mãe, tive a sorte dela cair na real e desfazer o negócio do carro, de forma a ter restituído o dinheiro que investi e de me conscientizar de que minha carteira de habilitação mais uma vez é secundária aos meus planos. Outra coisa interessante foi perceber que me empenhando e me planejando posso ter meu próprio carro da maneira que eu quiser, mas sem arrependimentos financeiros...
Enfim... Sei que me auto-diagnosticar como perfeita histérica não soa nada como fator de sorte súbita. Mesmo porque durante o tratamento com meu terapeuta eu já sabia deste diagnóstico. Mas é interessante e importante ver relatado um caso sob o ponto de vista do psicanalista. Entender alguns sintomas. Compreender certas atitudes... Só não imagino ainda a "cura" para a histeria. Enfim... Percebi que até a minha tosse inexplicável tem explicação psicanalítica, a qual, aliás, é mencionada repetidamente no livro. A aversão aos homens, a afonia, a animosidade com a mãe, a aproximação com o pai, os sonhos... Isso tudo vindo de um relato de uma menina de 18 anos no final do século passado!
Freud fala de lacunas que existem na memória para compreensão da doença... Sinceramente, conscientemente, não sei mais que lacuna poderia encontrar. Minhas sessões parecem mais um lamento repetitivo e superficial.
O engraçado é ter descoberto que até a escrita é algo nada original. Já tinha reparado há muito tempo que só escrevo quando estou triste ou angustiada. Dizem que escrevo bem e sinto que as palavras fluem mesmo que melancólica e aleatoriamente. E que mesmo desconexas, resultam num texto no mínimo curioso. Eis que me deparo com o seguinte parágrafo do livro:
"Lembrei-me de ter visto e ouvido tempos atrás, na clínica de Charcot, que nas pessoas que sofrem de mutismo histérico a escrita funcionava vicariamente em lugar da fala. Elas escreviam com maior fluência, mais depressa e melhor do que as outras ou elas mesmas anteriormente." - Freud, Sigmund; Fragmentos da Análise de um Caso de Histeria (O Caso Dora).
Mais uma vez me pasmo com o quanto nós, seres humanos, não temos nada de original. Somos animais e, como todos os animais, temos rotinas comportamentais. Não fugimos da reação instintiva simplesmente porque temos polegares. Nascemos, crescemos, amadurecemos, vivemos, procriamos, amamos, nos decepcionamos, superamos e morremos como quase todos os animais: de forma instintiva! Então porque não reagir de maneira semelhante mesmo com traumas distintos?
Engraçado que meu terapeuta sempre se refere ao tocante da minha histeria como inteligência (risos). Dentro do contexto do que foi relatado e discutido em cada sessão, não foram poucas as vezes que ouvi dele que pessoas sensíveis e inteligentes apresentavam muitos dos sintomas descritos no livro como histeria. Claro que ele não me disse isso e principalmente desta maneira. Mas percebo agora que todas as vezes que ele dizia isso era quando concluíamos algo comum ao que Freud ensaia neste livro sobre a histeria.
E não sei por que fiquei aliviada em ler sobre isso. Acho que pelo fato de ter praticamente virado as costas para o tratamento e visto o quanto eu regredi à minha volúpia infantil. Para variar, além da voracidade com a comida, agora tenho tosses que me parecem mais nervosas, dada a semelhança descrita por Freud com o caso de Dora. Aliás, outra premissa deste grande analista é que o "não sei" e o "acho que" se traduzem em "sim, eu sei!".
No fundo, sempre sabemos o que nos acontece, não é mesmo? Não é a toa que, como eu, muitas pacientes dizem "Eu percebi isso" ou "eu sei disso" logo após o analista expor seu pensamento. Sabemos consciente ou inconscientemente, mas sabemos!
Aproveitando, mesmo sabendo do quão longo ficará este post, PRECISO relatar meu sonho de hoje para não perdê-lo de mente. Pareceu curioso, tenebroso, satisfatório e macabro:
"Talvez por ter lido muitos livros sobre histórias fantasiosas de cavaleiros e dragões, e anões, e seres fantasiosos, sonhei que estava numa festa aparentemente medieval, na qual recebíamos um grupo de estrangeiros meio bárbaros muito alegremente. Enquanto eu e mais uma menina que estava comigo (creio que fosse a minha irmã) saíamos com um homem da cena e caminhávamos conversando até a tenda principal onde estaria o que pareciam os líderes de tal grupo, reparávamos que todas as mulheres e "meu povo" haviam sumido. Principalmente as mulheres. O homem com quem andávamos então negocia com o "líder do grupo" e consegue que recebamos o que seria pouco dinheiro em relação ao que tínhamos (éramos uma espécie de princesas bem afortunadas no sonho) além de nossa "liberdade" que, se me lembro bem, era condicionada à propriedade deste homem. Cabe dizer que o tal homem que nos acompanhava parecia um sábio mais velho... Bem mais velho! E que minha irmã fazia menção de protestar os valores que nos era dado visto que nós éramos donos da terra e das posses originalmente, porém, eu a silenciava e mandava que prosseguissem com a negociação ansiando nossa liberdade para longe deste grupo e temendo uma escravidão maior."
"A partir deste ponto nos encontrávamos, os três, perdidos próximos a um lago com crocodilos e várias criaturas, a maioria delas já mortas - inclusive homens enormes apodrecendo à beira do lago. Com a devastação que sofrera o local, pensávamos em pescar algo que estava na água, mas nosso 'guia', por assim dizer, nos instruía a não fazê-lo sob pena de sermos atacadas e devoradas pelos crocodilos. Eu passava por uma vaca morta e com a carne exposta pensando que tinha visto num canal tal qual a Discovery um apresentador instruindo a nunca comer carniças quando perdidos num deserto africano enquanto circundava o lago. Eis que nosso 'guia' menciona algo que sugere como única opção comer a carne do grande homem morto às margens do lago. Deste modo, prefiro então comer a carne da vaca que jazia ali perto."
"Numa reviravolta típica de sonhos, eu era uma ave que subia a um sobrado de uma casa perto onde pegaria a carne da tal vaca. Chegando lá encontro um homem deitado sobre uma cama como quem tivesse morrido ali dormindo. Se me lembro bem, penso em aproveitar a carne dele para nos alimentarmos, mas ele acorda e eu entro em pânico ao perceber que ainda há humanos vivos na região mesmo depois da posse do grupo bárbaro. Creio ter falado pra ele rapidamente que não aparecesse para não ser morto. Logo depois peguei um pouco da carne da vaca e voei ao local de origem para dar as noticias do humano vivo. Eu estava em pânico morrendo de medo dos conquistadores do lugar nos punir por termos falado com o tal homem."
"Uma reunião então é feita por um grupo de humanos que aparecessem vivos depois da descoberta do homem adormecido em seu leito. O medo impera no lugar no mesmo nível que o espírito de liberdade almeja ser conquistado. A reunião é para decidir sobre o ataque ou não aos bárbaros que, a esta altura, já apareciam no sonho como seres meio monstruosos liderados por um bicho papão enorme e aterrorizante" - bem infantil este ponto, não? - "Então alguém menciona que é desejo de algum grande cavaleiro - que creio ser chamado de Leão tal qual no livro das Crônicas de Nárnia - que lutemos por nossa liberdade. E quando alguém pergunta como ele sabe das vontades do Leão, surgem na ponta esquerda da platéia três grandes cavaleiros com máscaras e emblemas com o rosto de um leão incitando a luta. O povo então toma coragem e resolve lutar. Os três cavaleiros saem do local onde esta a multidão por um portão que lembra o da casa da nossa família paterna em Friburgo. Eu agora sou um destes cavaleiros e pergunto ao líder dos três por onde entraremos na batalha. O tal líder que parecia ser o rei daquela vila perdida diz que não entraremos. Continuamos então a trotar em direção oposta a da luta. Eu pego o telefone e começo a conversar com alguém que parece ser minha mãe ao telefone falando que estávamos fugindo da luta - eu acho que estava ao telefone. Esta parte do sonho me é confusa embora saiba que falava abertamente sobre o fato de fugirmos mesmo após incitar o povo a uma luta que certamente resultaria na morte daqueles homens."
"Não sei se por remorso ou pelo peso das minhas palavras o tal rei decide, então, voltar e lutar e procura o mostro principal do sonho que aparentemente hibernava tranquilamente sabendo do trono conquistado. Neste momento era eu então que passava a procurar o tal monstro morrendo de medo, mas ao mesmo tempo confiante de que ganharia, pois já tinha visto a cena da morte dele - Após acordar lembrei que a cena que me dava a certeza da vitoria no sonho era uma cena que eu tinha visto do filme Van Helsing quando o vampiro maior morre."
"Neste momento a minha figura se misturava a de uma velha que não sei dizer se era eu mesma ou se era outra pessoa que aparecia no sonho para ajudar. O que lembro é que esta velha golpeava o monstro de tal forma que ele saia de seu aposento menor, triste e sensivelmente abalado - chega a lembrar uma criança chorando se não fosse pela aparência negra como uma poça de piche desfigurada tal qual um mostro enorme que vai murchando. Quando ele percebe que estamos praticamente comemorando a vitória por esta reação dele, ele começa a rir de nós por pensarmos que poderíamos derrotá-lo. No entanto, acabamos derrotando-o com alguns golpes estranhos com uma tora muito grande de madeira - semelhante àquela que prendiam as mãos e a cabeça de prisioneiros muito antigamente vistos em filmes - na cabeça do mostro."
Creio que este final é que tenha dado a leve sensação gostosa que senti durante todo o dia. Algo que parecia uma vitória mesmo. Mas a noite foi atribulada de sonhos. Lembro de ter sonhado algo com Pietra. Se me lembro bem ela estava num carrinho de bebe e era roubada de mim. Mais uma vez o desespero não era total. Havia embutida a sensação da certeza de que a encontraria. Mas não lembro muitos detalhes destes sonhos. O que me vem a cabeça é apenas uma janela com grades semelhantes as que tinham na casa do meu falecido avo paterno, eu olhando de forma escondida por ela temendo ser vista e um carrinho de bebe aleatoriamente vagando na minha mente. Infelizmente este sonho eu não consegui reter na memória. Mas tenho certeza que seria algo revelador pela pressão no peito que sinto ao lembrar estas poucas coisas.
Aliás, terapeuticamente falando, como possa tornar útil um sonho que meu inconsciente usa para se comunicar comigo se o esqueço e fico apenas com a sensação de recalque no peito? Isso tem acontecido direto ultimamente! Sonho todas as noites! Todos os dias! - tenho dormido muito de dia - Mas não lembro nada útil pra contar.
Sobre o caso da desistência da aquisição do carro por parte da minha mãe, sei que foi a melhor decisão mas isso trouxe frustrações antigas: o fato dela sempre nos encher de sonhos que nunca são concretizados. Estou indiscutivelmente decepcionada e desapontada. Já estava me vendo dirigindo um C3... Como uma criança, estou aborrecida com a minha mãe e 'chorando' por dentro pela perda de mais deste sonho que me foi embutido sem uma permissão consciente. Com este episódio lembrei que desde meus 14 ou 15 anos sonho em ter um carro e dirigi-lo de forma independente. Tinha reprimido isso com a ideia de que depois de viver 31 anos sem carro, não seria mais necessário a esta altura... Aliado à violência no Rio, era a desculpa perfeita para abandonar uma meta juvenil que foi reacendida pela minha mãe de maneira tão frustrante. Oras... Mais uma vez me revelo uma histérica!
Quem sabe mando este texto pro meu terapeuta para ver o que ele diz a respeito, não?
Enfim, lugar de lixo é na lixeira! Pode recolher! ;-)
Em 2009 obtive diversos progressos. Encerrei o curso de graduação tecnológica (que não consigo ver com o mesmo orgulho de se encerrar uma verdadeira faculdade, mas que mesmo assim se trata de uma grande conquista), fechei a dívida ativa com o Ministério da Fazenda, limpei meu nome no SPC, paguei a dívida com a minha mãe (sobrou apenas dois parcelamento que fiz em nome dela - um herdado da compulsão e outro de uma nova conquista que menciono a seguir) e comprei um apartamento! Tudo lindo e belo com planilhas de despesas minuciosamente calculadas para todo o ano de 2010 e outras esboçadas para até 2013.
Tudo desabando! Não fiz o Enade e nem justifiquei, então não posso retirar meu diploma. Já fiz gastos grandes no cartão de crédito logo em seguida à limpeza do nome. Gastei TODO o dinheiro das férias, 13º, salário etc. em coisas secundárias quando tinha consciência de que este dinheiro extra era para pagamento da segunda parcela do meu AP. Peguei um empréstimo (outro) para pagar esta segunda parcela. Tornei a gastar este dinheiro. Paguei as despesas extras da compra de um carro que "forcei" minha mãe a fazer mesmo sabendo que não poderia fazê-lo. Estava preparada para gastar mais outros tantos na aquisição de uma carteira de motorista... Tanta coisa em tão pouco tempo. Tantas cifras detonadas em dias!
Tirei férias também da terapia: um mês ausente. Acho que isso associado ao fato da novidade de estar novamente ativa financeiramente. De poder realizar meus desejos com autonomia me subiu a cabeça.
Mas tive algumas poucas sortes também: comprei três livros escritos por Freud e estou lendo um deles chamado Fragmentos da Análise de um Case de Histeria, o qual me mostra de maneira assustadora como sou a perfeita histérica! Além disso, mesmo tendo me aborrecido profundamente com a atitude da minha mãe, tive a sorte dela cair na real e desfazer o negócio do carro, de forma a ter restituído o dinheiro que investi e de me conscientizar de que minha carteira de habilitação mais uma vez é secundária aos meus planos. Outra coisa interessante foi perceber que me empenhando e me planejando posso ter meu próprio carro da maneira que eu quiser, mas sem arrependimentos financeiros...
Enfim... Sei que me auto-diagnosticar como perfeita histérica não soa nada como fator de sorte súbita. Mesmo porque durante o tratamento com meu terapeuta eu já sabia deste diagnóstico. Mas é interessante e importante ver relatado um caso sob o ponto de vista do psicanalista. Entender alguns sintomas. Compreender certas atitudes... Só não imagino ainda a "cura" para a histeria. Enfim... Percebi que até a minha tosse inexplicável tem explicação psicanalítica, a qual, aliás, é mencionada repetidamente no livro. A aversão aos homens, a afonia, a animosidade com a mãe, a aproximação com o pai, os sonhos... Isso tudo vindo de um relato de uma menina de 18 anos no final do século passado!
Freud fala de lacunas que existem na memória para compreensão da doença... Sinceramente, conscientemente, não sei mais que lacuna poderia encontrar. Minhas sessões parecem mais um lamento repetitivo e superficial.
O engraçado é ter descoberto que até a escrita é algo nada original. Já tinha reparado há muito tempo que só escrevo quando estou triste ou angustiada. Dizem que escrevo bem e sinto que as palavras fluem mesmo que melancólica e aleatoriamente. E que mesmo desconexas, resultam num texto no mínimo curioso. Eis que me deparo com o seguinte parágrafo do livro:
"Lembrei-me de ter visto e ouvido tempos atrás, na clínica de Charcot, que nas pessoas que sofrem de mutismo histérico a escrita funcionava vicariamente em lugar da fala. Elas escreviam com maior fluência, mais depressa e melhor do que as outras ou elas mesmas anteriormente." - Freud, Sigmund; Fragmentos da Análise de um Caso de Histeria (O Caso Dora).
Mais uma vez me pasmo com o quanto nós, seres humanos, não temos nada de original. Somos animais e, como todos os animais, temos rotinas comportamentais. Não fugimos da reação instintiva simplesmente porque temos polegares. Nascemos, crescemos, amadurecemos, vivemos, procriamos, amamos, nos decepcionamos, superamos e morremos como quase todos os animais: de forma instintiva! Então porque não reagir de maneira semelhante mesmo com traumas distintos?
Engraçado que meu terapeuta sempre se refere ao tocante da minha histeria como inteligência (risos). Dentro do contexto do que foi relatado e discutido em cada sessão, não foram poucas as vezes que ouvi dele que pessoas sensíveis e inteligentes apresentavam muitos dos sintomas descritos no livro como histeria. Claro que ele não me disse isso e principalmente desta maneira. Mas percebo agora que todas as vezes que ele dizia isso era quando concluíamos algo comum ao que Freud ensaia neste livro sobre a histeria.
E não sei por que fiquei aliviada em ler sobre isso. Acho que pelo fato de ter praticamente virado as costas para o tratamento e visto o quanto eu regredi à minha volúpia infantil. Para variar, além da voracidade com a comida, agora tenho tosses que me parecem mais nervosas, dada a semelhança descrita por Freud com o caso de Dora. Aliás, outra premissa deste grande analista é que o "não sei" e o "acho que" se traduzem em "sim, eu sei!".
No fundo, sempre sabemos o que nos acontece, não é mesmo? Não é a toa que, como eu, muitas pacientes dizem "Eu percebi isso" ou "eu sei disso" logo após o analista expor seu pensamento. Sabemos consciente ou inconscientemente, mas sabemos!
Aproveitando, mesmo sabendo do quão longo ficará este post, PRECISO relatar meu sonho de hoje para não perdê-lo de mente. Pareceu curioso, tenebroso, satisfatório e macabro:
"Talvez por ter lido muitos livros sobre histórias fantasiosas de cavaleiros e dragões, e anões, e seres fantasiosos, sonhei que estava numa festa aparentemente medieval, na qual recebíamos um grupo de estrangeiros meio bárbaros muito alegremente. Enquanto eu e mais uma menina que estava comigo (creio que fosse a minha irmã) saíamos com um homem da cena e caminhávamos conversando até a tenda principal onde estaria o que pareciam os líderes de tal grupo, reparávamos que todas as mulheres e "meu povo" haviam sumido. Principalmente as mulheres. O homem com quem andávamos então negocia com o "líder do grupo" e consegue que recebamos o que seria pouco dinheiro em relação ao que tínhamos (éramos uma espécie de princesas bem afortunadas no sonho) além de nossa "liberdade" que, se me lembro bem, era condicionada à propriedade deste homem. Cabe dizer que o tal homem que nos acompanhava parecia um sábio mais velho... Bem mais velho! E que minha irmã fazia menção de protestar os valores que nos era dado visto que nós éramos donos da terra e das posses originalmente, porém, eu a silenciava e mandava que prosseguissem com a negociação ansiando nossa liberdade para longe deste grupo e temendo uma escravidão maior."
"A partir deste ponto nos encontrávamos, os três, perdidos próximos a um lago com crocodilos e várias criaturas, a maioria delas já mortas - inclusive homens enormes apodrecendo à beira do lago. Com a devastação que sofrera o local, pensávamos em pescar algo que estava na água, mas nosso 'guia', por assim dizer, nos instruía a não fazê-lo sob pena de sermos atacadas e devoradas pelos crocodilos. Eu passava por uma vaca morta e com a carne exposta pensando que tinha visto num canal tal qual a Discovery um apresentador instruindo a nunca comer carniças quando perdidos num deserto africano enquanto circundava o lago. Eis que nosso 'guia' menciona algo que sugere como única opção comer a carne do grande homem morto às margens do lago. Deste modo, prefiro então comer a carne da vaca que jazia ali perto."
"Numa reviravolta típica de sonhos, eu era uma ave que subia a um sobrado de uma casa perto onde pegaria a carne da tal vaca. Chegando lá encontro um homem deitado sobre uma cama como quem tivesse morrido ali dormindo. Se me lembro bem, penso em aproveitar a carne dele para nos alimentarmos, mas ele acorda e eu entro em pânico ao perceber que ainda há humanos vivos na região mesmo depois da posse do grupo bárbaro. Creio ter falado pra ele rapidamente que não aparecesse para não ser morto. Logo depois peguei um pouco da carne da vaca e voei ao local de origem para dar as noticias do humano vivo. Eu estava em pânico morrendo de medo dos conquistadores do lugar nos punir por termos falado com o tal homem."
"Uma reunião então é feita por um grupo de humanos que aparecessem vivos depois da descoberta do homem adormecido em seu leito. O medo impera no lugar no mesmo nível que o espírito de liberdade almeja ser conquistado. A reunião é para decidir sobre o ataque ou não aos bárbaros que, a esta altura, já apareciam no sonho como seres meio monstruosos liderados por um bicho papão enorme e aterrorizante" - bem infantil este ponto, não? - "Então alguém menciona que é desejo de algum grande cavaleiro - que creio ser chamado de Leão tal qual no livro das Crônicas de Nárnia - que lutemos por nossa liberdade. E quando alguém pergunta como ele sabe das vontades do Leão, surgem na ponta esquerda da platéia três grandes cavaleiros com máscaras e emblemas com o rosto de um leão incitando a luta. O povo então toma coragem e resolve lutar. Os três cavaleiros saem do local onde esta a multidão por um portão que lembra o da casa da nossa família paterna em Friburgo. Eu agora sou um destes cavaleiros e pergunto ao líder dos três por onde entraremos na batalha. O tal líder que parecia ser o rei daquela vila perdida diz que não entraremos. Continuamos então a trotar em direção oposta a da luta. Eu pego o telefone e começo a conversar com alguém que parece ser minha mãe ao telefone falando que estávamos fugindo da luta - eu acho que estava ao telefone. Esta parte do sonho me é confusa embora saiba que falava abertamente sobre o fato de fugirmos mesmo após incitar o povo a uma luta que certamente resultaria na morte daqueles homens."
"Não sei se por remorso ou pelo peso das minhas palavras o tal rei decide, então, voltar e lutar e procura o mostro principal do sonho que aparentemente hibernava tranquilamente sabendo do trono conquistado. Neste momento era eu então que passava a procurar o tal monstro morrendo de medo, mas ao mesmo tempo confiante de que ganharia, pois já tinha visto a cena da morte dele - Após acordar lembrei que a cena que me dava a certeza da vitoria no sonho era uma cena que eu tinha visto do filme Van Helsing quando o vampiro maior morre."
"Neste momento a minha figura se misturava a de uma velha que não sei dizer se era eu mesma ou se era outra pessoa que aparecia no sonho para ajudar. O que lembro é que esta velha golpeava o monstro de tal forma que ele saia de seu aposento menor, triste e sensivelmente abalado - chega a lembrar uma criança chorando se não fosse pela aparência negra como uma poça de piche desfigurada tal qual um mostro enorme que vai murchando. Quando ele percebe que estamos praticamente comemorando a vitória por esta reação dele, ele começa a rir de nós por pensarmos que poderíamos derrotá-lo. No entanto, acabamos derrotando-o com alguns golpes estranhos com uma tora muito grande de madeira - semelhante àquela que prendiam as mãos e a cabeça de prisioneiros muito antigamente vistos em filmes - na cabeça do mostro."
Creio que este final é que tenha dado a leve sensação gostosa que senti durante todo o dia. Algo que parecia uma vitória mesmo. Mas a noite foi atribulada de sonhos. Lembro de ter sonhado algo com Pietra. Se me lembro bem ela estava num carrinho de bebe e era roubada de mim. Mais uma vez o desespero não era total. Havia embutida a sensação da certeza de que a encontraria. Mas não lembro muitos detalhes destes sonhos. O que me vem a cabeça é apenas uma janela com grades semelhantes as que tinham na casa do meu falecido avo paterno, eu olhando de forma escondida por ela temendo ser vista e um carrinho de bebe aleatoriamente vagando na minha mente. Infelizmente este sonho eu não consegui reter na memória. Mas tenho certeza que seria algo revelador pela pressão no peito que sinto ao lembrar estas poucas coisas.
Aliás, terapeuticamente falando, como possa tornar útil um sonho que meu inconsciente usa para se comunicar comigo se o esqueço e fico apenas com a sensação de recalque no peito? Isso tem acontecido direto ultimamente! Sonho todas as noites! Todos os dias! - tenho dormido muito de dia - Mas não lembro nada útil pra contar.
Sobre o caso da desistência da aquisição do carro por parte da minha mãe, sei que foi a melhor decisão mas isso trouxe frustrações antigas: o fato dela sempre nos encher de sonhos que nunca são concretizados. Estou indiscutivelmente decepcionada e desapontada. Já estava me vendo dirigindo um C3... Como uma criança, estou aborrecida com a minha mãe e 'chorando' por dentro pela perda de mais deste sonho que me foi embutido sem uma permissão consciente. Com este episódio lembrei que desde meus 14 ou 15 anos sonho em ter um carro e dirigi-lo de forma independente. Tinha reprimido isso com a ideia de que depois de viver 31 anos sem carro, não seria mais necessário a esta altura... Aliado à violência no Rio, era a desculpa perfeita para abandonar uma meta juvenil que foi reacendida pela minha mãe de maneira tão frustrante. Oras... Mais uma vez me revelo uma histérica!
Quem sabe mando este texto pro meu terapeuta para ver o que ele diz a respeito, não?
Enfim, lugar de lixo é na lixeira! Pode recolher! ;-)
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